04 Fevereiro 2010

Museu de Arte Islâmica em Berlim terá como meta atrair novos públicos

No ano de 2019, o Museu de Arte Islâmica de Berlim terá triplicado seu tamanho e deverá abrigar a maior coleção do gênero no mundo ocidental. Mas apenas mostrar seu acervo não é a meta principal do museu.

O Muro de Berlim mal havia caído quando arquitetos se reuniram na capital alemã, a fim de planejar o futuro da Ilha dos Museus, localizada no centro da cidade e composta de cinco museus distintos.

Ao mapear cuidadosamente o espaço, eles chegaram à conclusão de que o Museu de Arte Islâmica, até então parte do Museu de Pérgamo desde 1932, deveria ser expandido. A ideia era deslocar essa coleção para a ala norte do complexo arquitetônico, criar uma entrada própria e disponibilizar um espaço de exposição de 3 mil metros quadrados.
O que esses arquitetos naquele momento não sabiam é que, quando a expansão do museu entrasse realmente na fase de realização, ela iria ser conduzida por um jovem e ambicioso diretor, cheio de novas ideias.
Stefan Weber assumiu em 2009 uma coleção que inclui a fachada do Palácio de Mshatta (Jordânia), estuques de Samarra (cidade ao norte de Bagdá) e nichos decorativos de oração de Kashan (Irã) e Konya (Turquia).
Para Weber, o novo espaço não é somente uma ótima oportunidade de reconceituar a arte islâmica e a arqueologia, mas também de se perguntar qual seria o público alvo do museu. "Essa é uma coisa da qual não se falou muito no passado. Nossa visão de museu não é somente aquela de servir a especialistas e estudantes, mas sim de atrair novos tipos de público", diz ele.

Complexidades do passado

A fim de atingir essa meta, uma das questões com as quais Weber e seus assessores se depararam foi a dificuldade de transpor as complexidades e diversidades da herança cultural islâmica, de forma que essas se tornem mais compreensíveis e acessíveis ao público ocidental.
Não é uma tarefa necessariamente fácil abarcar uma era que vai do século 7° aos dias de hoje, cobrindo uma área geográfica que alcança desde a Espanha até a Índia, em busca de respostas para esta questão.
A relevância dessa tarefa, para Weber, está na função crítica a ser desempenhada, a fim de eliminar a ignorância do ponto de vista cultural e histórico que determinadas pessoas têm a respeito da sociedade islâmica hoje.
"Acredito que temos um grande potencial. As pessoas vêm até aqui para compreender o presente através do passado e nós podemos servir como vitrine da cultura muçulmana na nossa sociedade atual", argumenta Weber.

Luz no fim do túnel

Essa é uma abertura que Ali Kaaf, artista sírio que vive e trabalha em Berlim, espera que seja realmente vista e observada por muitas pessoas. "O interesse pela cultura islâmica cresceu em função da atual situação política em todo o mundo, mas há sempre o perigo de que as pessoas acreditem nas coisas superficiais que leem nos jornais", afirmou o artista à Deutsche Welle.
Kaaf diz preferir, contudo, acreditar que as pessoas optem por refletir e explorar as profundezas da herança muçulmana. Ele vê essa oportunidade como uma luz no fim do túnel que se opõe a uma eventual escuridão neste contexto.

Lar simbólico

Tirar proveito do interesse crescente pela cultura islâmica é também o objetivo de Stefan Weber, embora ele veja também no museu berlinense uma espécie de ponte ou lar simbólico para os quatro milhões de muçulmanos que vivem hoje na Alemanha.
"Não há nenhum espaço público para a cultura elevada, onde os muçulmanos que vivem no país sejam convidados e possam perceber que uma instituição pública está cuidando de sua cultura. Do ponto de vista psicológico, é de tremenda importância dizer que damos valor à herança deles, algo que somente nossa instituição poderá fazer na Alemanha", observa Weber.
E o diretor do museu não tem medo de investir onde acha que deve: à frente do projeto, Weber introduziu um programa interessante e diversificado de eventos, incluindo workshops, exposições e concertos, voltados tanto para promover a compreensão por parte daqueles que não fazem parte da cultura muçulmana, bem como de semear uma sensação de pertencimento a ela.

Peso sobre os ombros

Os esforços de Weber não passaram despercebidos, embora haja opiniões de que o museu não deveria navegar somente nas águas turvas da integração dos muçulmanos no país.
"O que o museu está fazendo agora é interessante, instigante e honesto. É a primeira vez que se tenta cortar os laços com o mundo acadêmico, a fim de se criar uma conexão com a sociedade e com a vida contemporânea. Mas o museu não poderá cumprir essa tarefa sozinho e não se deve esperar muito dele", avalia Ali Kaaf.
No momento, o novo museu mantém uma enorme expectativa em relação às tarefas que pretende cumprir, talvez muito em função da meta de eliminar a noção de "eles contra nós" e de fazer com que se conheça melhor a longa história de intercâmbio entre as culturas.
"Vivemos todos juntos numa sociedade. As divisões que fazemos hoje estão nas nossas cabeças, de forma que é muito importante explorar a tradição cultural e trazê-la ao nosso público", conclui Weber.

Autora: Tamsin Walker (sv)

01 Fevereiro 2010

8º CONGRESO INTERNACIONAL DE PATRIMONIO CULTURAL: La Habana 2010

8º CONGRESO INTERNACIONAL DE PATRIMONIO CULTURAL: SALVAGUARDA Y GESTION – LA HABANA 2010

Del 29 de Marzo al 2 de Abril de 2010 Palacio de Convenciones de La Habana, Cuba El Comité Organizador del Congreso Internacional de Patrimonio Cultural: Salvaguarda y Gestión, anuncia que su octava edición se llevará a cabo del 29 de marzo al 2 de abril de 2010 en La Habana, Cuba, con el objetivo de intercambiar experiencias en el ámbito de la defensa y la gestión de los valores y bienes del patrimonio cultural, junto a especialistas de alto nivel provenientes de diversos puntos del planeta.
Organizan: Centro Nacional de Conservación, Restauración y Museología (CENCREM) Consejo Nacional del Patrimonio Cultural (CNPC) Ministerio de Cultura de Cuba (MINCULT) Palacio de Convenciones de La Habana, Cuba.

El Congreso Internacional de Patrimonio Cultural: Salvaguarda y Gestión, es un evento de carácter bienal convocado por el Centro Nacional de
Conservación, Restauración y Museología, como parte de las actividades de su Cátedra Regional de Ciencias de la Conservación Integral de los Bienes
Culturales y Naturales para América Latina y el Caribe de la UNESCO, con el objeto de presentar el resultado científico de expertos de alta categoría vinculados al rescate y la preservación del Patrimonio Cultural, visto en su más amplio sentido. Los diferentes segmentos científico-técnicos del Congreso: sus paneles, conferencias magistrales, exposiciones asociadas y visitas técnicas, están encaminados a lograr la confluencia de los múltiples enfoques que perfilan el contexto de la salvaguarda del patrimonio cultural y natural, asentada en el empeño de
hacer perdurar la memoria histórica de los pueblos y de asegurar la continuidad de la cultura.
Perfil de los participantes: Podrán participar conservadores, restauradores, museólogos, museógrafos, historiadores, arquitectos, antropólogos, diseñadores, juristas, economistas, investigadores, científicos, gestores culturales y del patrimonio, profesores, y todas aquellas personas cuyo perfil se vincule de una forma u otra con las temáticas del Congreso.

Temáticas:
-Marco ético y jurídico en la defensa y protección del patrimonio cultural
-Gestión y manejo del patrimonio cultural
-Sustentabilidad y promoción del patrimonio cultural
Más información: www.cencrem.co.cu / www.cpalco.com

25 Janeiro 2010

La Universidad de Barcelona 'abre' el primer museo virtual universitario de España


La entidad también reunirá las colecciones de criminología en un nuevo centro dedicado al delito
JOSÉ ÁNGEL MONTAÑÉS - BARCELONA - 25/01/2010
"Universidades en España hay muchas, pero ninguna como la de Barcelona", así de contundente se ha mostrado Lourdes Cirlot, vicerrectora de patrimonio de la Universidad de Barcelona, durante la presentación del "primer museo virtual de una universidad en España" que recoge 255 piezas del rico patrimonio reunido durante 600 años de existencia de esta institución. Se puede acceder al fondo en la web de la universidad.
Según Cirlot, el nuevo museo recoge los fondos de nueve colecciones: la de arte que incluye los pabellones Güell de Antoni Gaudí, la de instrumentos científicos, el fondo de reserva de la Biblioteca, la colección Sabater Pi, el museo de la Farmacia Catalana, la colección del Pabellón de la República, la colección del Centro de recursos de la Biodiversidad, el Herbario BCN y la Litoteca del Facultat de Geologia.
Así, a partir de hoy, se pueden apreciar virtualmente las pinturas de los siglos XVI al XX depositadas por el Museo del Prado y que cuelgan de las paredes del edificio histórico de la Plaça de Universitat como la Andrómeda de Luca Giordano;algunosmanuscritos medievales como el Llibre dels feyts de Jaume I, escrito en 1343; la segunda farmacopea más antigua de Europa, la Concordia escrita en 1511 por los boticarios de Barcelona, tras concederles un privilegio el rey Fernando el Católico. También hay algunos objetosentre los que estánaparatos científicos antiguos como microscopios o una linterna mágica de Dubosc de 1870; un raro ejemplar bicéfalo de vaca de 1758 y los dibujos naturalistas de Jordi Sabater Pi de sus viajes a Guinea, cuando encontró a Copito de Nieve,
"Tras consultar las obras y la ficha elaborada por especialistas de esta universidad, se podrá visitar, mediante cita previa, cada una de las piezas en la facultad o centro donde esté", ha aseguradoCirlot.
Sin concretar fechas, la vicerrectora ha revelado que ya está en marcha una segunda fase en la que se incorporarán nuevas colecciones. Es el caso de los grabados de cartografía antigua, de la colección del Museo de la Criminología o del Delito, que conserva instrumentos de ejecución y que se instalará en la Facultad de derecho, cuando termine la ampliación del edificio, o de todo el mobiliario antiguo de la facultad de medicina.
Cirlot ha puntualizado que este museo "sólo es la primera piedra" de un futuro museo real que agrupará todas las colecciones en un solo edificio. "Algún día lo tendremos", ha concluído.

'Universitas et museum'

La Universidad de Barcelona expondrá su patrimonio, reunido durante seis siglos

Fernando el Católico concedió un privilegio a los boticarios de Barcelona para recopilar en un libro las recetas de los productos que creaban para tratar el dolor y la enfermedad. En 1511 publicaron Concordie Apothecariorum Barchione, la segunda farmacopea del mundo tras la de 1498 de Florencia. El único ejemplar que se conoce de este libro, escrito en latín y caracteres góticos, se conserva en la caja fuerte de la Facultad de Farmacia de la Universidad de Barcelona (UB). Pero será por poco tiempo.

La Concordie, escrita hace casi 500 años, será una de las piezas fundamentales del museo que la UB creará con el patrimonio atesorado por esta institución en sus seis siglos de vida. El museo estará ubicado en la sede central del edificio histórico de la plaza de la Universitat, construido en 1882 por Elies Rogent, pero tendrá subsedes en cada una de las 19 facultades de la UB que disponga de colecciones.

"Rico, diverso y sugerente, pero poco conocido": así define la catedrática de Historia del Arte, Lourdes Cirlot, el patrimonio de la UB. Vinculada con esta institución "toda la vida", desde noviembre es vicerrectora de Artes, Cultura y Patrimonio. Según Cirlot, el programa presentado por el nuevo equipo dirigido por el rector Dídac Ramírez incluía una parte novedosa: configurar una universidad según un modelo científico y humanístico. Y para ello Cirlot recibió el encargo de crear un museo con "todo el patrimonio de esta universidad".

Según Cirlot, un equipo de 20 personas ya ha comenzado a inventariar y estudiar las colecciones de libros -sobre todo los incunables y los libros miniados de la biblioteca de la universidad, la segunda en fondos de toda España-, los cuadros y esculturas, los muebles y todos los objetos con valor histórico, muchos de los cuales pasarán de estar encerrados en vitrinas y cajas fuertes a exponerse en la sede del edificio del rectorado o en la facultad donde han permanecido hasta ahora. Con la información y las imágenes en detalle de cada uno de los objetos se realizarán fichas, como las que ya se han hecho de las pinturas del aula magna, del paraninfo y el rectorado. En septiembre, con el nuevo curso, se podrán consultar las primeras fichas en el "museo virtual" que se creará en la Red y comenzarán las visitas guiadas por expertos en el edificio de la plaza de la Universitat. Ahí se encuentran muchos de los 300 cuadros que forman parte de la colección de pinturas de la UB, la mayoría del siglo XVI al XIX, obras de gran formato y temática diversa, pero también pinturas contemporáneas, como el enorme mural que cubre el techo de la sala Ramón y Cajal realizado en 1993 por Joan Hernández Pijoan, que fue profesor de esta universidad. "Las visitas permitirán ver rincones y obras que muy pocas personas han visto", añade Cirlot.

De las 300 pinturas, 56 son propiedad del museo de El Prado y fueron depositadas en esta universidad a finales del siglo XIX, como la naturaleza muerta pintada por Mario Nuzzi que cuelga en la pared del despacho de Cirlot.

La idea que sigue el equipo que coordina Cirlot es crear un museo al estilo de los de las universidades alemanas e inglesas, "que añaden prestigio al centro, que no sólo ha de venir de su excelencia docente o investigadora", según la catedrática. Cirlot, que no quiere hablar de presupuestos ni plazos para la realización de este museo, explica que cuando sea una realidad permitirá visitar de forma pautada el jardín histórico del siglo XIX que rodea el edificio de la plaza de la Universitat, pero también otros edificios que pertenecen a la UB, como la finca Agustí Pedro i Pons, situada en la carretera de la Arrabasada, que fue donada por este doctor con sus cuadros, bienes, mobiliario y una importante colección de aparatos médicos. Desde noviembre otro edificio se prepara para recibir a los visitantes. Se trata de los pabellones Güell de Pedralbes, propiedad de la universidad desde 1950. Gaudí construyó en esta finca de Eusebi Güell la casa para el guarda y las caballerizas, unidas por una puerta monumental de hierro forjado con un gran dragón encadenado. Todos serán restaurados, tras invertir tres millones de euros, y se abrirán al público junto al parque de evocador nombre que los rodea, el jardín de las Hespérides.

http://www.ub.edu/museuvirtual/

Fonte: ElPais

05 Janeiro 2010

Texto Publicado na Revista Brasil-Europa - Estudos Culturais


O Imaginário do Mal no movimento literário brasileiro do início do século XX: contribuições teóricas e metodológicas preliminares.

Alexandre Fernandes Corrêa*

Resumo: O presente texto é um estudo sobre as representações do mal no modernismo brasileiro, tomando como foco central a obra literária do poeta carioca Dante Milano. A obra desse autor parece expressar de modo sintético e significativo uma das faces mais instigantes e uma das configurações dialéticas mais intrigantes do movimento estético-literário em foco; especialmente quando se analisa mais diretamente as representações sócio-culturais que o ‘mal’ adquiriu no imaginário social e cultural das primeiras décadas do século XX. Trata-se de uma reflexão elaborada a partir da pesquisa realizada para estágio de pós-doutorado, cujo enfoque teórico recaiu sobre o entrelaçamento interdisciplinar dos métodos da Antropologia, dos Estudos Literários e dos Estudos Culturais.

Palavras-Chave: Modernismo – Imaginário Social – Estudos Culturais

Fonte: http://www.revista.brasil-europa.eu/122/Imaginario_do_Mal.html

12 Dezembro 2009

MORROS VELADOS: Mostra MAM Luiz Pizzaro


"A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela sob o azul cabralino são fatos estéticos". Oswald de Andrade, Manifesto pau-brasil, 1924.

As favelas, além de pertencerem ao patrimônio cultural e artístico do Rio de Janeiro, crescem de forma espontânea no inconsciente dos artistas, formando novas constelações no imaginário das Cidades. Ao mesmo tempo visíveis e invisíveis, mutantes e estáveis, as favelas são sonhadas antes de serem vistas, sentidas antes de serem visitadas. Ao condensar, como num sonho surrealista, as imagens de favelas publicadas pelos turistas ao voltar do Rio de Janeiro, Luiz Pizarro reintegra essas imagens dispersas ao seu processo criativo. O que ia embora com os “gringos” é reaproveitado para constituir uma nova camada, velada essa, da arquitetônica imaginária desses não lugares urbanísticos. A própria estética da favela é meticulosamente transformada em uma refavelização da tela. Esses espaços outros, habitados e planejados pelo outro, passam a ser invadidos também pelo artista-bricoleur que soube reaproveitar dos restos e pedaços de espaços e de visões alheias para realizar seus morros re-velados, parafinas de favelas ou paisagens sob a neblina.
Pelos gestos acumulativos e alusivos, que parecem parodiar, de certa forma, o próprio crescimento das favelas, o artista reconstrói o espaço através das suas pinturas-esculturas e recupera definitivamente as imagens fugitivas da sua cidade. A partir dos fragmentos impressos de favelas, Luiz Pizarro fabrica pequenas metonímias dos morros que figuram tanto frios (montes enevoados) e quentes (a parafina derretida), densos (detalhes) e leves (como uma vela), frágeis (quebráveis) e fortes (pinturas armadas). Essas novas quimeras absorvem, na opacidade da parafina, outros olhares, imagens de Debret e do próprio artista sobre Notre-Dame de Paris. Como que congeladas, as telas parecem procurar o amarelo do Sol por conta própria e afirmar a instabilidade da paisagem retratada.
Condensadas, integradas e logo dissolvidas na parafina, essas carrancas gigantes são fatos políticos transmutados em objetos simbólicos e poéticos: são fatos estéticos como dizia Oswald de Andrade. No azul escuro da noite, a favela deixa de ser antiestética para virar um quadro luminoso que atrai e afasta feito uma gárgula. Ao deixar derreter a própria imaginação, Luiz Pizarro apresenta a sua arqueologia e revela sua visão íntima do espaço familiar. Para reativar a poesia da geografia carioca, revelada por Hélio Oiticica, o artista cria armadilhas conceituais capazes de cegar o espectador. De olhos velados, ele é convidado a mudar sua visão do lugar...

Stéphane Rémy Georges Malysse
Prof. Dr. Arte e Antropologia Aplicada (EHESS)
Escola de Artes, Ciências e Humanidades / USP








Fonte: http://www.luizpizarro.com.br/index.html
E.mail: pizarro@luizpizarro.com.br

11 Dezembro 2009

ENTRE DEUS E O DIABO - Luiz Felipe Pondé


O HABITAT natural da alma é viver entre Deus e o Diabo. Sem esse combate, a alma se dissolve em pequenas manias diárias e fica pequena.
Uma das faces da miséria humana é a vaidade, e a vaidade quer agradar. Como diz a escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís, hoje todo mundo quer agradar, o professor, o artista, o metafísico. Sua tese é que no fundo deste desejo de agradar está o trauma infantil do desamparo que nos afeta a todos. Ao tentar agradar, buscamos fugir do medo do desamparo. Quando o intelectual é afetado por este desejo, ele se transforma numa máquina de repetição de unanimidades a fim de agradar a opinião pública.
Também morro de medo, como não? Ainda mais hoje, quando agradar é um conceito cientifico na sociedade de mercado. Quando atingida pela unanimidade, a opinião pública torna o ar irrespirável. Segundo a ciência da opinião pública, discordar dela é suicídio.
A partir de sua pequena janela, em seu pequeno apartamento de classe média, onde a televisão reproduz um desses programas alegres de domingo, nossa heroína, a opinião pública, contempla sua criação. Com uma lupa, vasculha o mundo, em busca de um vírus que justifique cientificamente seu medo.
Até o Diabo fica pálido diante dessa moradora de apartamento de classe média, que vasculha o mundo com sua lupa. O Diabo se esconde, sentindo-se finalmente derrotado, com as faces vermelhas de pudor.
Há medos e medos. Há medos que nos engrandecem e medos que nos humilham. O medo de Hamlet nos engrandece: afinal, seria eu, no fundo, uma caveira vazia? Ou seria eu uma alma cega, que, mesmo sendo, no fundo, uma caveira vazia, pressente a presença de seu criador e o persegue arrastando-se pelo chão?
O medo de quem grita nas farmácias em busca de álcool gel nos humilha. Os olhos de um chimpanzé dentro de sua cela no zoológico são mais humanos do que a obsessão de quem lava as mãos a cada segundo.
Tanto o professor, quanto o artista, o metafísico, são obrigados a seguir o roteiro da concepção de vida medíocre da classe média em que só pode ser dito o que "agrega valor à vida". Cuidado! Os olhos da moradora do apartamento enxergam tudo o que se move em sua criação. E nela, todos devem ter seus orçamentos equilibrados.
O professor deve ver diante de si alguém que, por definição, nunca erra, e se preocupar com sua autoestima, o artista deve pintar o rosto do pequeno deus miserável que sonhamos ter dentro de nós, o metafísico, este coitado, vira escravo de um universo que deve estar a nossa disposição a cada segundo resolvendo até nossos crediários.
Confesso: eu não tenho uma concepção de vida, sou um coitado. Vejo a vida como Pepi, a faxineira do romance de Kafka "O Castelo". Pelo buraco de uma fechadura, vejo a vida e seus muitos vultos aos pedaços, arrastando-se pelas paredes. A duras penas pressinto suas formas. Muitas vezes estremeço quando as pressinto mais agudamente.
Já tentei ter uma concepção de vida, mas desisti e hoje, como diz o filósofo romeno Cioran (século 20), eu acho que grande parte dos problemas do mundo advém da praga que é todo mundo querer ter uma concepção de vida. Quando estou diante de alguém que tem uma concepção de vida, recuo assim como quem recua de um predador. A certeza acerca do que seja uma vida plena me apavora. Antigamente apenas alguns poucos eram tomados por esta febre, mas hoje, como vivemos no mundo das grandes quantidades, todos se acham no direito de ter concepções de vida.
A indiferença faria do mundo, talvez, um lugar melhor. Mas sei que isso é difícil de ser compreendido por quem se vê como um agente do bem, a partir de seu pequeno apartamento de classe média, ao som de seu programa alegre de domingo. Quem assim se vê normalmente não tem qualquer piedade.
Nessas horas, sinto saudades de Deus e daquele tipo de santo que vivia o dilaceramento de quem se vê tragado, de um lado, pela graça de Deus, e, do outro, por sua natureza orgulhosa, que se revolta contra os elementos naturais, apenas porque eles lhe são indiferentes.
Há uma luta entre Deus e o Diabo e seu palco é o coração humano, nos diz Dimitri Karamazov, um dos heróis de Dostoiévski. O habitat natural da alma é viver entre Deus e o Diabo. Como Deus é piedoso, dele aprendo a humildade, como o Diabo é infeliz, dele aprendo a vaidade. Ambos são improváveis, por isso merecem nossa fé.
Fonte: http://doantisistema.blogspot.com/2009/09/entre-deus-e-o-diabo-luiz-felipe-ponde.html

08 Dezembro 2009

Associação dos Profissionais de Museus


Associação Sul-riograndense dos Profissionais de Museus

É uma entidade de caráter associativo, apartidária, sem fins lucrativos e de âmbito estadual, que tem por objetivo promover, apoiar e divulgar as ações voltadas para o desenvolvimento dos museus e da museologia no RS. A ASPM pretende congregar todos os profissionais que atuam em museus e na área de patrimônio e memória cultural no RS, independentemente de suas áreas de conhecimento e formação, considerando ser o museu um espaço de atuação interdisciplinar, aberto a diferentes formas de gestão e ação. • A ASPM nasceu do compromisso em desenvolver uma nova abordagem da questão dos recursos humanos em Museus • A ASPM considera MUSEU uma instituição interdisciplinar, necessariamente aberta à participação dos mais diversos tipos de profissionais com competências múltiplas.